sábado, 27 de maio de 2017

MAPAS CONCEITUAIS - Continuação...


 “Desde os níveis mais elementares de pensamento há implicações entre significações. Para o caso da construção de mapas conceituais, quando estamos escolhendo uma relação entre dois conceitos (expressa por uma frase de ligação) estamos realizando, em última análise, uma implicação significante."
(PIAGET & GARCIA, 1989)

O mapa conceitual é uma ferramenta usada para organizar e representar o conhecimento. É uma forma de sistematizar as redes de significados que construímos cognitivamente, sendo representadas graficamente através de setas, linhas e sinais semelhantes a diagramas, que indicam relações entre conceitos ligados por palavras (proposições). O processo é dinâmico à medida que o conhecimento vai sendo construído o mapa  pode ser modificado.

O mapeamento conceitual é uma técnica muito flexível, em razão disso pode ser usado em diversas situações e para diferentes finalidades, como técnica didática, estratégia de estudo, recurso de aprendizagem ou meio de avaliação.

O nosso desafio maior durante a semana estava em  construir com os estudantes os mapas conceituais a partir das suas respectivas pesquisas. Diante de tal dificuldade e  da complexidade da tarefa tivemos que também ler bastante e pesquisar sobre como fazer a aplicabilidade dessa ferramenta tão significativa para aprendizagem deles. 

Mostrar como fazer mapas conceituais era sobretudo assumir, dentro do papel de mediadoras, um compromisso com a aprendizagem e obedecer a um rito que nos fizesse ver que a construção do mapa estava dialogando com a  pesquisa e assimilação e reflexão dos temas escolhidos por eles e resultando em aprendizagens.

Segue abaixo o relato dos avanços e das dificuldades das colegas do grupo na construção dos mapas conceituais com as turmas:

Jaqueline: Durante essa semana, finalmente, consegui elaborar o mapa conceitual juntamente com os alunos referente à nossa pesquisa sobre as Touradas. Como são alunos de 2º ano do Ensino Fundamental em processo  de alfabetização, levei-os para o Laboratório de Informática, e através de projeção fui construindo o mapa coletivamente. Como já havíamos pesquisado e descoberto muitas coisas acerca do tema, fui fazendo as perguntas e conforme iam respondendo eu ia montando o mapa no programa Cmap diante deles. Foi uma tarefa muito enriquecedora pois todo o conhecimento adquirido na pesquisa foi se revelado graficamente na frente deles, provocando grande empolgação. Quando o mapa ficou pronto, cada um recebeu um impresso. Os alunos começaram a ler as palavras seguindo as setas com facilidade, pois já conheciam o conteúdo, acompanharam sua construção. O que antes parecia impossível, aconteceu. Não me detive a fazê-los entender o conceito de conceito, de verbo, proposição, etc., mas, expor graficamente suas aprendizagens, estabelecendo diferentes relações. 
O mapa ficou assim:


Lêda: Explicar para um aluno que fazer um mapa conceitual é delimitar um tema e estabelecer a trajetória básica de sua apresentação, subordinando ideias, selecionando fatos e argumentos mesmo que em uma linguagem mais fácil foi um grande desafio. Diante das dificuldades de entendimento sobre o que é realmente um mapa conceitual, como fazer e qual a melhor forma de construir, optei por usar o Word no laboratório de informática, já que era uma ferramenta que eles já conheciam e se tornaria mais fácil a orientação e possível entendimento na hora da execução. Comecei fazendo um modelo no quadro para que entendessem a sequencia lógica a ser seguida a partir das seguintes indicações:  1. Qual o "tema?"  2. O que  “produz?” 3. Como “ocorre?”   4. “Consequências? 5. “Resulta”  em quê?

Dessa forma pudemos  produzir nosso primeiro mapa que certamente sofrerá os ajustes necessários ao longo do trabalho.




Simone:Iniciamos a terceira etapa dos projetos de aprendizagem, a construção do mapas conceituais. Como ensinar alunos de 5º ano a construir um mapa conceitual? Questionei-me muito sobre isso e resolvi tentar, meus alunos me ajudaram a criar um conceito para o termo 'Mapa Conceitual'. Então coloquei no quadro a palavra MAPA CONCEITUAL e comecei a questioná-los sobre o assunto. Fizemos uma divisão dos termos para que os alunos pudessem compreender melhor, pois eles ainda não conheciam esse termo e nem sabiam o que significava.
Primeiro Mapa Conceitual da turma, 24/5/2017

Conversei com os alunos sobre o assunto que expliquei a eles que deveríamos utilizar frases curtas, preferencialmente sem verbos, mas para eles foi difícil de compreender essas informações. Após os alunos iniciaram o mapa conceitual de suas pesquisas, e deixei bem claro para eles que seria a primeira vez que estaríamos fazendo tal atividade, então que não se preocupassem, porque faríamos eventuais correções posteriormente.

Mapa Conceitual do Gustavo - 24/5/2017

Mapa Conceitual da Érika - 24/5/2017

Os alunos farão a digitação desses mapas conceituais, porém, a professora do EVAM está procurando a melhor forma de trabalhar com os alunos. Esta primeira experiência de interação com os alunos na construção dos mapas conceituais demonstrou o nível de envolvimento de cada um. Alguns alunos já tinham consolidado suas teorias e estavam bem conscientes de seus temas. Por outro lado, ainda tenho alunos que estão descobrindo como se organizar e através do mapa conceitual conseguiram externar algumas ideias novas. Como veremos nos exemplos abaixo:


Mapa Conceitual da Marcos - 24/5/2017


Mapa Conceitual do kauã - 24/5/2017

Ainda é necessário uma revisão ortográfica no trabalho dos alunos, porém eles se dão conta que escreveram errado, quando passam para o computador. Nas aulas no laboratório de informática eles aprenderam muitas coisas até agora que foram muito importantes para o desenvolvimento cognitivo deles.

Iasmim: Nesta semana (27.05.2017), conforme o combinado com a turma, construímos durante a aula mapas conceituais sobre os temas que eles consideram interessante e  importante. Orientei os estudantes a fazerem sobre um assunto simples, do domínio do grupo , e não necessariamente sobre a a temática dos seus Projetos de Aprendizagem. No início a turma apresentou novamente dificuldades, mas com o início da produção, eles conseguiram compreender a proposta, e a atividade fluiu tranquilamente. Após a conclusão dos mapas conceituais, fizemos uma rodada para conhecer os mapas elaborados pela turma. Nenhum grupo construiu mapas sobre os seus Projetos de Aprendizagem, contudo a turma entendeu como funciona a elaboração desta atividade. Desta maneira, solicitei para a turma a construção dos mapas referentes aos P.As em suas residências e na próxima aula, faremos uma revisão dos mesmos.
Na semana seguinte (02.06.2017), retomamos os mapas conceituais na turma. Alguns grupos conseguiram completar a atividade proposta em suas residências, e outros conforme o esperado necessitaram de ajuda presencial. 


Mapa conceitual construído por um dos grupos da turma 81 .


Kênia: Esta semana consegui iniciar a construção dos mapas conceituais. Atendi a turma por dois períodos de 45 minutos cada, ficando desta forma o tempo aquém do necessário para uma tarefa complexa como esta. Fiz uma explicação geral do que se trata mapa conceitual. Como são alunos bastante agitados, como eu já havia exposto no perfil da turma, foram poucos os que conseguiram captar a essência da minha explicação. Resolvi formar os grupos e passar em cada um deles para uma explicação mais personalizada. No entanto, na prática sabemos que essa é uma dinâmica que nem sempre funciona em sala de aula, pois enquanto estamos atendendo um grupo, milhares de outras demandas estão acontecendo na sala. Outros grupos pedem explicação, alguns alunos se acham livres e começam a correr pela sala, acontecem brigas, bate bocas, enfim, não é nada simples.  A solução foi dar outra tarefa para os grupos enquanto eu atendia a cada um particularmente. Solução que apenas abrandou o caos, longe de ter se tornado uma sala de aula com alunos compenetrados e silenciosos. O fato é que, devido as várias interrupções, não consegui que nenhum grupo elaborasse o mapa conceitual, pelo menos em sua forma final. Apenas alguns esboços.


A solução encontrada foi retirar os alunos de um dos grupos durante um dos meus períodos de planejamento. O restante da turma ficou sendo atendida pela professora referência. Com muita calma, explicações, perguntas e respostas, conseguimos chegar a um resultado que considerei positivo. Os alunos, em um ambiente calmo, com minha atenção voltada exclusivamente para eles, puderam elaborar estratégias para esquematizar o conhecimento adquirido através da pesquisa.


Pretendo, no decorrer da próxima semana, executar o mesmo procedimento com os demais grupos, pois foi a melhor estratégia encontrada para que todos tenham sucesso nesta etapa do projeto de aprendizagem.


REFLEXÕES SEMANAL:


Hoje pudemos compartilhar da alegria de termos encontrado o caminho para realizar esta etapa do projeto. O interessante durante e após a execução desta atividade foi a reflexão cotidiana que fizemos e como nos chamou a responsabilidade de também pesquisar sobre como aplicar, mas principalmente como obter um resultado satisfatório e de poder ter a certeza de que cumprimos o nosso papel como mediadoras e, também, por termos feito uma "implicação significante" como está descrito na citação inicial.


REFERÊNCIAS:

PIAGET, J.; GARCÍA, R. Hacia uma lógica de significaciones. México, Gedisa, 1989. 

Um comentário:

  1. Parabenizo o grupo pelo texto colaborativo postado onde, de fato, posso perceber o andamento dos projetos nas turmas. Destaco positivamente a elaboração dos Mapas Conceituais elaborados com os/as alunos/as onde, a sua maneira, podem retomar, sistematizar e relacionar os conceitos e aprendizagens em redes de relações. Destaco também a retomada e as análises teóricas que vocês trazem aos textos, integrando teoria e prática. Abraços.

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