quarta-feira, 5 de abril de 2017

REFLEXÕES SOBRE A CONSTRUÇÃO DE UM PA - PROJETO DE APRENDIZAGEM

     A interdisciplina de Seminário Integrador IV no semestre passado teve como perspectiva o fortalecimento da escrita focando os aspectos que congregam a autoria, as evidências, as referências e os argumentos que possibilitam a continuidade da escrita e do aperfeiçoamento dos projetos de aprendizagem. Para que estes objetivos fossem alcançados foi necessário elaborar perguntas norteadoras, escolher tema, definir grupo, etapas e principalmente despertar a consciência acadêmica e as responsabilidades de cada aluno do Pead para o trabalho em equipe nos Projetos de aprendizagens.     
     O Projeto de Aprendizagem (PA) foi uma ação em grupo que teve como principal característica desenvolver a escrita através de um tema. Foi necessário encontrar caminhos que projetassem para uma apresentação no final do semestre. Então, foi necessário criar um plano de ação que desse conta e delimitasse as inquietações sobre o assunto abordado. A partir dessa organização ficou bem mais fácil achar o caminho para construção do texto, pois acreditamos na premissa que um texto é construído através de outros textos ou várias leituras com o fim de embasar os argumentos neles descritos.
   Consideramos que as principais vantagens da aprendizagem propiciada pelos projetos de aprendizagem em relação às abordagens tradicionais de projetos é que o PA ajuda na construção do conhecimento por ser realizado aos poucos e obedecendo a um rito. O processo é lento, mas é como uma teia que vai se formando conforme os fios vão sendo tecidos e tramados, ou seja, é uma investigação que favorece o aprendizado de forma elaborada e significativa.
    Pensar a relação entre os Projetos de Aprendizagem (PA) e o grupo é favorecer especialmente a aprendizagem de cooperação, com trocas recíprocas e respeito mútuo.  Isto quer dizer que a prioridade não é o conteúdo em si, formal e descontextualizado.  A proposta é aprender conteúdos, por meio de procedimentos que desenvolvam a própria capacidade de continuar aprendendo, num processo construtivo e simultâneo de questionar-se ou de encontrar as certezas e reconstruí-las em novas certezas.
    Por isso, a pesquisa/investigação não está dissociada deste contexto, pois favorece chegar ao resultado desejado do PA e pode ocorrer há todo momento pelos membros do grupo. Assim, podemos dizer que as especificidades dos PAs, quando comparado com outras propostas de pesquisa, são as de levar o aprendiz a realizar uma operacionalização com as informações que tem, com as coordenações, as inferências, os argumentos e possíveis demonstrações da sua aprendizagem.  De acordo com as palavras da professora Simone Bicca no Pead “[...] para que possamos construir conhecimento, é preciso reestruturar as significações do que foi escrito anteriormente e integrar novas significações". Concluiu afirmando que o conhecimento novo é produto de atividade intencional, interatividade cognitiva, interação entre os parceiros pensantes, trocas afetivas, investimento de interesses e valores.
    Hoje, o nosso desafio será nos colocarmos como professoras que em breve abordará o PA em sua prática educativa. Ao refletir sobre nosso papel como alunas em um PA, e este como uma atividade interdisciplinar e em grupo, entendemos com mais facilidade o que nos espera como mediadoras da construção e execução dos PA’s que desenvolveremos com nossos alunos.
    Para tanto, deveremos ter a visão do autor Hernandez (1998), de “educadores transgressores” com um posicionamento de mudar o que está posto ou do que já existe, pronto, acabado, constituído e passado.  Os PA’s exigem um acompanhamento da dinâmica da sociedade, inovação em termos de atitudes e comportamentos docente, quebrando paradigmas para propiciar a mudança de mentalidades, desenvolvendo a pesquisa a partir de questionamentos e possibilitar a  construção do conhecimento em nossos alunos.

 Como se organiza um Projeto de Aprendizagem?

    Como foi mencionado anteriormente para que o PA tivesse êxito tanto na construção, execução e escrita foi necessário criar um plano de ação que desse conta e delimitasse as inquietações e duvidas sobre o assunto abordado. A partir dessa organização ficou bem mais fácil achar o caminho para expor ideias, pesquisar e realizar a construção do texto.
    Foi preciso pesquisar para buscar informações sobre os tipos de projetos existentes para que ficasse claro que tipo de projeto e linha de ação queremos seguir. Cada projeto tem uma conceituação e proposta para ser executado. Por isso, é preciso adaptá-lo ao currículo da escola se a mesma não usa a pedagogia de projeto em sua proposta pedagógica.

DIFERENTES TIPOS  PROJETOS
PROJETOS
CARACTERÍSTICAS
PROTAGONISTA
APRENDIZAGEM
·Transdisciplinar
·Globalizado
·Questionador
·Aprendizagem de forma artesanal e autonôma.
·Currículo aberto e flexível.
·Sistematização do Conhecimento.
·Centro de interesses.
·Cooperativo (grupo).
·Uso das tecnologias e da informação.
·Compreensão da realidade para compreensão da realidade e do aluno.
·Estabelecimento de metas e etapas.
·Aluno (como construtor do conhecimento)
·Professor ( mediador, orientador).
ENSINO
·É executado pelo professor.
·Acompanhamento sistemático.
·Colaborativo.
·Objetivos definidos e pré- estabelecidos.
·Apresentação para toda comunidade escolar.
·Professor
AÇÃO
  • Parte de uma situação problema.
  • Prático e objetivos.
  • Objetivos em curto prazo.
  • É dinâmico.
  • Resultados rápidos.
  • Professor

Os desafios ao realizar os PA em nossas escolas:

    Ao pensar na realização de Projetos de Aprendizagem em nossas escolas esbarramos em alguns obstáculos que precisam ser superados, por exemplo: o ensino rígido pautado em disciplinas; a falsa autonomia do professor em sala de aula; e a disponibilidade de recursos que auxiliem na realização das pesquisas.
    Dentre estes exemplos o que consideramos mais difícil será a realização de uma atividade que necessite transpor os limites das disciplinas escolares. Devido o fato da realização do PA ocorrer nos anos finais do fundamental, onde há diversas disciplinas com seus respectivos docentes.
    De acordo com Zabala ( 2008, p 143) os conteúdos têm maior potencial de uso e compressão quando trabalhados de forma integrada. Contudo, a maior parte das escolas desenvolvem os conteúdos de maneira fragmentada através das disciplinas. Como descrito na tabela acima, os projetos de aprendizagem se destacam por oportunizar uma aprendizagem transdisciplinar e globalizada.
    O ensino transdisciplinar caracteriza-se por apresentar “o mais alto nível de relações entre as disciplinas, por isso torna-se uma integração global dentro de um sistema totalizador” (ZABALA, 2008, p. 7).
    Outro obstáculo que certamente teremos que enfrentar é a questão da tecnologia. "Para implantação de uma Pedagogia [de Projetos] é fundamental que se disponha de ambientes apropriados. A estrutura conceitual e física da escola atual limita naturalmente nossas possibilidades de reformular concepções (...)" (Fernandes et all., 2006, p.30). Esses mesmos autores colocam que essas dificuldades podem ser superadas com a utilização de ambientes virtuais. Nesse ponto esbarramos nas estruturas dos Laboratórios de Informática das escolas. Geralmente (quando eles existem), são precários, com muitos computadores estragados. Também há pouca disponibilidade devido a procura por vários professores da escola (fator que não deixa de ser positivo, pois significa que os recursos tecnológicos estão sendo bastante usados).
      Precisamos considerar que mesmo tendo computadores e acesso a internet na escola, não temos acesso à plataforma como, por exemplo, o ambiente telemático AMADIS, explicado pelos autores acima citados. AMADIS foi parte de um projeto desenvolvido em parceria com a UFRGS e a Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre, onde foram desenvolvidos Projetos de Aprendizagem em diversas escolas.
        Teremos que realizar os projetos com os recursos que temos, adaptando-os a nossa realidade, o que demandará muita criatividade e trabalho, mas acreditamos que os métodos globalizados devem ocupar cada vez mais espaço em nossas escolas.


    Segundo Zabala ( 2002, p. 27) estes buscam o rompimento da estrutura parcializada do ensino, propondo uma organização dos conteúdos de maneira global. Nos métodos globalizados os alunos estão impulsionados a solucionar uma questão/problema que lhes interessa, e durante esta mobilização eles precisam aprender fatos, conceitos, técnicas e habilidades que tem relação com as disciplinas.




REFERÊNCIAS:
HERNÁNDEZ, Fernando - Transgressão e Mudança na Educação os projetos de trabalho. trad. Jussara Haubert Rodrigues - Porto Alegre: ArtMed, 1998.


FAGUNDES, Léa da Cruz et all. Projetos de Aprendizagem – uma experiência mediada por ambientes telemáticos. Revista Barsileira de Informática na Educação. V. 14, n. 1. Jan. a Abr. 2016. Disponível em: file:///C:/Users/K%C3%AAnia/Downloads/Projetos%20de%20aprendizagem__Lea%20Fagundes,%20Rosane%20Aragon%20e%20Credin%C3%A9%20Menezes%20(2).pdf. Acesso em: 9 abr. 2017.

ZABALA, Antoni.  Respostas do ensino à dispersão do conhecimento: esclarecimento conceitual. In: Enfoque Globalizador e Pensamento Complexo. Porto Alegre:ArtMed, 2002. (p. 26-30)

ZABALA, Antoni. La práctica educativa. Cómo enseñar. Serie Didáctica/Diseño y desarrollo curricular, 2008;




Um comentário:

  1. O texto é excelente! Traz ótimas análises e diferenças sobre os tipos de projetos. Ressalta, com respaldo teórico nas leituras indicadas, o potencial do projeto de aprendizagem, no sentido de promover maior autonomia aos alunos/as, participação ativa, investimento em pesquisa, construção das aprendizagens de modo integrado, interdisciplinar e globalizado. Destaco a qualidade da escrita, a clareza e a adequada forma de citar e referir as fontes consultadas. Foi um texto coletivo do grupo? Parabéns! Abraço.

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