"Os educadores libertadores não mantêm o controle de seus educandos nas mãos. O educador
libertador está com os alunos, em vez de fazer coisas pelos alunos. Nesse ato
conjunto de conhecimento, temos racionalidade e temos paixão. E isto é o que eu
sou - um educador apaixonado, porque não entendo como viver sem paixão."
(FREIRE, 1997, p. 2004).
Alunas: Iasmim Moraes, Jaqueline Pereira, Kênia Werner, Lêda Araujo Alves, Simone Pellenz
Alunas: Iasmim Moraes, Jaqueline Pereira, Kênia Werner, Lêda Araujo Alves, Simone Pellenz
Hoje uma colega do nosso grupo de trabalho postou no
whats essa citação do maravilhoso Paulo Freire sobre quem são os verdadeiros
educadores libertadores. Como estamos construindo e desenvolvendo os nossos Projetos
de Aprendizagens no PEAD e nas escolas, achamos interessante trazer também para
este espaço as palavras dele sobre o que realmente importa sobre o papel do
professor na construção, desenvolvimento e aplicação de um projeto de
aprendizagem.
A aplicabilidade de um projeto é na verdade na sua
constituição a ideia que temos de educação, ou seja, não são projetos
aleatórios, mas fazem parte de marcos de aprendizagem na qual são atribuídos
significados pelos alunos para toda vida. Acreditamos estar no caminho certo, pois como já foi
mencionado na Meta I o objetivo do Projeto de Aprendizagem
é buscar informações, conhecimentos e aprendizagens que esclareçam indagações, inquietações e necessidades de explicação e compreensão sobre temas, conceitos
e fenômenos.
Fonte:http://cmapspublic3.ihmc.us/rid=1HX2YPR74-151DQT8
Fonte:http://cmapspublic3.ihmc.us/rid=1HX2YPR74-151DQT8
Na Meta 2 continuaremos a buscar e alcançar de forma significativa esses objetivos através do desenvolvimento de ações que possibilitem a aprendizagem dos nossos alunos. Essa continuidade terá como base o desenvolvimento do projeto em sala de aula e as orientações para implementação da Meta 2 seguimos com os nossos registros semanais. Nesta etapa consolida-se a realização da pesquisa. Nela os alunos refletirão sobre suas dúvidas temporárias e suas certezas provisórias. Essa etapa será certamente um grande desafio para nós. Por esse motivo achamos importante fazermos algumas reflexões acerca do papel do professor nesse processo. De acordo com Fagundes et alli (2006, p. 31), é preciso que o professor assuma uma multiplicidade de papeis, no sentido de ser um “articulador entre objetivos, interesses e estilos de aprender dos alunos”. Neste sentido, ao professor caberá a função de:
- Organizar o contexto de aprendizagem;
- Coordenar a reflexão docente e discente;
- Fortalecer as trocas;
- Orientar os projetos.
São procedimentos que nos exigirão um extenso
planejamento, disciplina e determinação, pois sabemos que serão muitos os
obstáculos. Por isso as trocas entre as componentes do grupo são importantes.
As reflexões derivadas das nossas experiências irão nos fortalecer e enriquecer
nossas experiências, tornando não só os aprendizados dos nossos alunos
significativos como também os nossos.
Cumprindo nosso papel de mediadoras retomamos com os
alunos as perguntas elaboradas e através do diálogo procuramos rever as dúvidas
para serem esclarecidas e as certezas que deveriam ser validadas.
Concordamos, neste momento, com os dizeres de Fagundes et
all (2006, p. 31), quando afirma que o professor é um
“articulador entre objetivos, interesses e estilos de aprender dos
alunos”.
Após,
partiremos para a pesquisa, com o propósito de confirmar ou refutar as certezas
e esclarecer as dúvidas. Essas pesquisas podem ser realizadas em fontes
primárias (entrevistas, palestras com pessoas diretamente envolvidas com o tema
de pesquisa), e/ou em fontes secundarias (artigos, revistas, sites,
documentários). Além disso, a realização de saídas de campo também pode ser uma
rica fonte de pesquisa.
Essa nova perspectiva de trabalho reforça o que temos
discutido no nosso grupo de trabalho sobre a questão da "mediação" e
do aluno como "sujeito" da sua própria aprendizagem. Sem
perdermos a possibilidade de formação entre aluno e professor, pois acredito que
ambos estão aprendendo e se constituindo enquanto cidadãos.
MAS NA PRÁTICA COMO
FIZEMOS ISSO DURANTE ESSA SEMANA?
(Revendo as dúvidas e
as certezas com os alunos)
1. IASMIM: Em minha turma, conforme o
combinado na aula passada, os estudantes iniciaram as pesquisas em
suas residências sobre as suas respectivas perguntas. A turma estava
inquieta, porém foi possível notar que alguns grupos trouxeram
anotações em seus cadernos. Solicitei silêncio e atenção para
escutar o que os colegas tinham para falar, e aos poucos a turma foi
se acalmando.
Os grupos apresentaram suas
anotações e novas descobertas, contudo pude perceber que haviam
grupos que não realizaram a pesquisa em casa. Após esta observação
construímos uma tabela controle sobre a realização atividades que
ocorrerão durante os Projetos de Aprendizagens. Construímos esta
tabela não para envergonhar os grupos, mas sim para que eles
pudessem observar o que fizeram até o momento e o que deixaram de
fazer. Expliquei para a turma que a não realização de uma
atividade provavelmente ela influenciaria na próxima prática.
Cada grupo recebeu uma folha de
ofício para escrever no papel as certezas e dúvidas com relação a
pergunta. No início gerou-se uma confusão na turma, pois os
estudantes não compreenderam por que deveriam elaborar dúvidas para
a questão norteadora, já que a mesma já era uma dúvida. Porém,
no decorrer da atividade eles foram percebendo que não haviam
compreendido tudo sobre a questão norteadora, existindo assim pontos
que precisavam ser esclarecidos. Portanto, estes “pontos” que
precisavam ser esclarecidos eles identificaram como as dúvidas
temporárias. Os estudantes sentiram-se mais confiantes na elaboração
das certezas provisórias, pois os grupos que já haviam feito uma
breve pesquisa em suas casas, e desta maneira já possuíam domínio
suficiente do assunto para elaborar frases de afirmação (certeza)
sobre o assunto.
![]() |
| Dúvidas e Certezas elaboradas por um grupo no 8º ano da Escola Estadual X em Porto Alegre/ 2017 |
2.
JAQUELINE: Como trabalho com uma turma de alfabetizandos, optei em propor um Projeto de Aprendizagem da turma. As questões levantadas pelos alunos foram escritas no quadro-verde e os alunos fizeram uma votação sobre qual delas queriam aprofundar o estudo. Entre tantas perguntas, a turma unanimamente optou por uma delas. Na próxima semana, faremos o quadro das certezas temporárias e das dúvidas provisórias. Pude perceber a grande empolgação dos alunos em querer pesquisar sobre o assunto e o quanto podemos explorar diferentes conteúdos a partir das curiosidades deles, pois muitas questões apareceram. Percebo que a escola realmente esqueceu das perguntas e a prática comum que se vê é do professor dando respostas prontas sem o aluno ter perguntado nada. Diante do interesse dos alunos em buscar respostas para as perguntas, dei-me conta o quanto o espaço escolar pode tornar-se interessante para os educandos.
3. KÊNIA: A
turma que estou aplicando o Projeto de Aprendizagem é uma turma de quinto ano.
Sou professora volante, portanto só os atendo nas sextas-feiras. Sendo assim,
fiquei três semanas sem atendê-los. No dia 7 de abril os alunos elaboraram, em
grupos, as mais diversas perguntas, pois os deixei livres para colocarem suas
curiosidades no papel. Em casa, digitei todas elas.
Foi
no nosso encontro de sexta passada, dia 5 de maio, que demos continuidade ao
nosso projeto. Como já havia passado três semanas, os alunos já não lembravam
exatamente das perguntas que haviam feito e não quiseram mais permanecer nos
mesmos grupos. Pedi, então que formassem novos grupos e distribui as perguntas
digitadas a cada grupo. Logo após, orientei que cada grupo escolhesse uma
daquelas perguntas para que fizéssemos uma pesquisa sobre o assunto escolhido.
As perguntas selecionadas foram:
-
Como é a vida de uma cantora ou atriz?
-
Qual o sentido da vida?
-
Por que as pessoas morrem?
-
No que consiste a felicidade? Podemos ser felizes a vida inteira?
-
Quem inventou o sorvete e a casquinha?
-
O que é ilusão de ótica?
-
Como fazer uma máquina do tempo?
Encerrada
essa etapa da aula, expliquei a etapa seguinte que seria a elaboração das
dúvidas temporárias e as certezas provisórias. Foi difícil, pois como a colega
Iasmim colocou, eles tinham em mente que a dúvida seria a própria pergunta. Fui
passando nos grupos individualmente, explicando, argumentando, questionando até
que compreendessem o que estava sendo pedido. Somente o grupo que escolheu a
pergunta “O que é ilusão de ótica?” é que não pode elaborar a proposta, pois
alegaram não saberem o que é ilusão de ótica, então não tinham nenhuma certeza
a respeito desta questão. Disseram querer descobrir do que se trata ilusão de
ótica.
Foi
muito interessante essa etapa, pois criou uma boa expectativa por parte dos
alunos em pesquisarem os assuntos escolhidos. Ficou definido que na próxima
sexta-feira iremos à biblioteca e ao Laboratório de Informática.
4. LÊDA: Durante a semana partir para construção visual das questões
escrevendo-as em papeis pardos por temas equivalentes que foram colocados nas
paredes e depois partir para o registro do levantamento dos conhecimentos prévios que foram
registrados nos cadernos. Demos ênfase neste primeiro momento as certezas
temporárias e começar a fazer o inventário das perguntas da turma. A
ideia a ser desenvolvida era descobrir: 1) O que os/as alunos/as já sabem sobre
o que perguntaram? Como todo processo de aprendizagem, logo no inicio houve uma
inquietação, pois todos queriam falar ao mesmo tempo sobre o que sabiam sobre
os temas abordados. Mas ficou claro que para todo trabalho em grupo e
organização da pesquisa precisa de uma ordem e para isso foi necessário à
retomada dos acordos implantados na semana anterior. Na próxima semana daremos continuidade e fechamento desse trabalho inicializado.
5.
SIMONE: Em relação a segunda meta de nosso trabalho, acho que será mais trabalhoso do que pensava. A aprendizagem se dá de forma gradual, pois estou no início de uma jornada, rumo ao desconhecido. Pensar em fazer um Projeto de Aprendizagem é uma coisa, mas ensinar outros a fazê-lo é um desafio muito maior. Temos a ingenuidade de pensar que as pessoas entendem o que falamos, exatamente da forma como falamos, mas é um engano terrível, pois o que outro entende depende de toda sua vivência e bagagem cognitiva, em minha opinião. Pensando desta forma, desde o início do ano pensei em trabalhar com meus alunos atividades voltadas para os PA's, então, logo no início do ano letivo solicitei que os alunos escrevessem sobre o que gostariam de aprender, ou descobrir ao longo do ano letivo. Pensei que fariam perguntas voltadas as mais diversas áreas de curiosidade infantil, porém me deparei com solicitação de aprendizagens que não poderia suprir, em sua maioria. Isso me levou a um segundo passo, o qual cito em meu blog (https://monepellenz77.blogspot.com.br/2017/04/projetos-de-aprendizagens.html), sobre a dificuldade de desenvolver nas crianças perguntas espontâneas, talvez por minha falta de experiência não recebi os questionamentos que esperava. Surgiram ideias como:
Deparei-me com uma necessidade diferente da qual havia planejado, então o que fazer? Certamente, poderia ter aprofundados os assuntos dos alunos e os conduzido a excelentes projetos, porém, minha ignorância frente ao trabalho freou minha prática. Hoje, teria feito diferente, porque Zabala (20008,p.146) afirma "El punto de mira y el referente organizador fundamental es el aluno e sus necesidades educativas.", desta forma, negligenciei meu aluno em detrimento ao conteúdo, que poderia ser amplamente inserido ao longo do processo, tendo em vista que trabalho as disciplinas de português, ética, hora do conto, educação ambiental e cine/vídeo.
Vivemos em uma sociedade que aprecia mais o tradicional que o inovador, quando se trata do trabalho escolar. Os próprios alunos questionam sobre quando vamos ter aula, quando estamos debatendo sobre o projeto, ainda é muito forte a sistemática de que aula é quadro e giz. Para tentar mudar essa concepção, em meus alunos, iniciei o trabalho no ambiente chamado "EVAM", Espaço Virtual de Aprendizagem e Multimídia, em que primeiramente criamos e-mails para os alunos, posteriormente fizemos atividades de enviar e-mails para os colegas e professoras, com isso permitimos que os mesmos pudessem explorar o ambiente para descobrir como ele funcionava. Os 11 alunos de minha turma não tinham ideia de como funcionava a troca de mensagens por essa ferramente. Ao perguntá-los para que servia o e-mail as respostas foram voltadas a criação de redes sociais, ou seja, é preciso ensiná-los a manusear as ferramentas tecnológicas disponíveis na rede.
O passo seguinte foi criar as certezas provisórias e dúvidas temporárias. Esse procedimento foi feito em sala de aula e posteriormente os alunos foram para a sala do EVAM para digitar seus trabalhos no google docs, ferramenta que será utilizada para construção dos textos. Nesta etapa, fiz a análise do início de suas pesquisas, alguns alunos ainda precisam compreender o processo, mas essa é minha função como professora orientadora. A revisão com orientações será feita na próxima aula.
O passo seguinte foi criar as certezas provisórias e dúvidas temporárias. Esse procedimento foi feito em sala de aula e posteriormente os alunos foram para a sala do EVAM para digitar seus trabalhos no google docs, ferramenta que será utilizada para construção dos textos. Nesta etapa, fiz a análise do início de suas pesquisas, alguns alunos ainda precisam compreender o processo, mas essa é minha função como professora orientadora. A revisão com orientações será feita na próxima aula.
A aluna Érika compreendeu bem o processo do trabalho.
O aluno Gustavo precisa de algumas orientações para compreender melhor o processo
Esta semana, vamos iniciar pesquisando alguns sites disponibilizados e permitidos para pesquisa no EVAM. Os alunos que necessitam de atendimentos individualizados os terão, e partiremos para a pesquisa em si.
NOSSA REFLEXÃO SEMANAL:
Acreditamos
que os projetos estão fluindo bem e os resultados da construção inicial já
estão aparecendo. O principal é a motivação dos alunos, se isso está acontecendo
é porque estamos no caminho certo e aprendizagem já está ocorrendo!
Os alunos estão muito interessados nos assuntos que foram escolhidos por eles, esta ânsia pela busca de respostas é fator positivo, pois certamente irão aprofundar seus conhecimentos. Uma frase de Zabala (2008, p.151) vem bem ao encontro do trabalho com PA'S "El niño no es lo que queremos que sea, sino lo que puede ser." Essa frase traduz um pouco da responsabilidade que temos enquanto professores em busca de uma autonomia educacional, por parte dos nossos alunos e em relação a nós também como profissionais, pelo fato que termos o desafio de deixar que nossos pupilos voem com suas asas. Nossa função é guiar esse voo e conduzi-lo da forma mais ativa e estimulante possível, dentro dos objetivos propostos.
REFERÊNCIAS:
FAGUNDES, Léa da Cruz et
all. Projetos de Aprendizagem – uma
experiência mediada por ambientes telemáticos. Revista Barsileira
de Informática na Educação. V. 14, n. 1. Jan. a Abr. 2006. Disponível
em: file: Downloads/Projetos%20de%20aprendizagem__Lea%20Fagundes,%20Rosane%20Aragon%20e%20Credin%C3%A9%20Menezes%20(2).pdf.
Acesso em 28 abr. 2017.
FREIRE,
Paulo. Pedagogia da Autonomia:
Saberes Necessários à Pratica Educativa. 4 ed. Rio de Janeiro: Paz e
Terra, 1997.
VIDIELLA, Antoni Zabala. Serie Didáctica/Diseño y desarrollo curricular Traducción: Susana Esquerdo. 15.' reimpresión: mayo 2008
VIDIELLA, Antoni Zabala. Serie Didáctica/Diseño y desarrollo curricular Traducción: Susana Esquerdo. 15.' reimpresión: mayo 2008







Olá grupo, mais uma vez parabenizo pelas reflexões escritas por vocês, descrevem e embasam com teorias suas descrições. Percebemos, Simone, que os alunos sentem falta de conteúdo, os pais cobram textos nos cadernos, por isto surge a fala: quando vamos ter aula?, se não tiver textos no quadro ou folhas prontas. Mas tenho o ideal que isto mudará, com o tempo, teremos alunos pesquisadores, estimulados, abertos a novos saberes. Parabéns, seus textos são prazerosos de ler.
ResponderExcluirAbraços
Considero que os PAs estão fluindo muito bem.
ResponderExcluirSem dúvida essa pedagogia de projetos é inovadora e desestabiliza algumas concepções cristalizadas que temos sobre a escola, causando "estranhamentos" nos/as alunos/as, familiares e, inclusive, alguns colegas.
O mais importante vocês estão conseguindo: atrair a atenção das turmas, despertar espírito científico: a coragem de perguntar e buscar respostas possíveis.
Gosto muito das postagens coletivas, pois vejo realmente uma comunidade de prática em ação!
Parabéns.