Dando
início a META 1, passo aos resultados de mapeamento da turma que executará o
Projeto de aprendizagem.
De
acordo com a organização em Ciclos da Rede Municipal de Porto Alegre a turma
que executará os Projetos de Aprendizagem será uma de turma B 20, que equivale
ao 5º ano das escolas seriadas. Com 30 alunos, é uma turma extremamente
agitada, sendo que a professora referência desta turma, embora com vasta
experiência pedagógica, está enfrentando sérias dificuldades para manter o bom
relacionamento da turma.
Minha
relação com essa turma é o papel de professora Volante, sendo que dou aula
apenas nas sextas-feiras por dois ou três períodos de 50 minutos cada,
dependendo da demanda da semana. Minha relação com eles também é bastante
tumultuada, sendo que quase 50% do tempo que estou com eles são ocupados para
resolução de conflitos.
A
turma também apresenta dificuldades de aprendizagem, pois 13 alunos frequentam
o Laboratório de aprendizagem, um espaço onde os alunos frequentam uma vez por
semana, no turno inverso ao da aula regular, para suprir essas dificuldades (casualmente
eu também sou professora do L. A. e atendo estes alunos). Isso passa a ser ponto
a meu favor, pois consigo ter momentos individuais com esses alunos, aumentando
o vínculo afetivo.
Na
última aula que tivemos, dia 7 de abril de 2017, conversei com os alunos sobre
o termo CURIOSIDADE. Após algumas colocações, minhas e deles, propus que, em
grupos, escrevessem perguntas sobre o que gostariam de saber, que tivesse
alguma forma de curiosidade, sobre qualquer assunto. Cada grupo se organizou de
um modo. Alguns especificaram qual componente do grupo fez a pergunta, outros
pensaram as perguntas em conjunto. Os resultados foram interessantes. Os assuntos
foram os mais variados, totalizando 74 perguntas.
Após
ler as perguntas, pude fazer algumas reflexões sobre o perfil da turma. De
alguma forma os alunos se expõem ao realizarem suas perguntas. Ao relatarem
suas curiosidades, revelam aspectos de seus mundos, de suas realidades, como por
exemplo, quando perguntam: “por que os homens são machistas”, é provável que
aquela aluna tenha passado por alguma situação relativa a esse tema que a tenha
deixado apreensiva. Sendo assim tive a sensação de conhecê-los um pouco mais,
fato fundamental para mim, uma vez que meu contato com a totalidade da turma é
semanal e não diário. Essa reflexão vem ao encontro do que afirma Fagundes (s/d)
ao abordar o papel do professor nos Projetos de Aprendizagens:
Um
professor, tão aprendiz quanto seus alunos, não funciona apenas cognitivamente,
por isso, em um ambiente de aprendizagem construtivista, é preciso ativar mais
do que o intelecto. A abordagem construtivista, sob uma perspectiva genética,
propõe aprender tanto sobre o universo físico, quanto sobre o universo social.
Mas é fundamental ativar a mente e a consciência espiritual para aprender muito
mais sobre seu mundo interior e subjetivo.
Outra
reflexão feita ao ler as perguntas, foi a possibilidade de inserir esse projeto
no tema gerador escolhido pela escola para o ano de 2017: Uma escola leitora. Pensei na possibilidade de produzirmos um livro
virtual, no qual selecionaríamos algumas perguntas para produção desse
material. O maior problema que enfrentarei para tal intento, será a tecnologia.
A escola possui um Laboratório de Informática, onde há cerca de 15
computadores, mas apenas 10 funcionam. Também a disponibilidade para usar esse
Laboratório não é grande, uma vez que só tenho as sextas-feiras para a
realização deste trabalho e nesse dia o L.I é usado para outro projeto da
escola. Mas o mais problemático será a falta de uma ambiente que contemple uma
melhor organização de um projeto deste porte, como é o caso do AMADIS, criado
para um projeto da UFRGS em parceria com a SMED POA que possibilitou a
aplicação de Projetos de Aprendizagens em escolas municipais de Porto Alegre (FAGUNDES
ET all, 2006).
Um
ponto positivo para a realização desse projeto é a parceria com a professora
referência da turma, que se mostrou disponível para ajudar. Afinal, inserir
essa metodologia não é algo fácil, pois a escola está estruturada de uma forma
totalmente adversa a essa e não é fácil encontrar parcerias.
Termino
minhas reflexões com mais uma citação de Fagundes que julgo de suma importância
para justificar esse trabalho:
Se
a escola oferecer trabalho em projetos de aprendizagem, qual será a diferença? Não
será mais um ensino de massa. O projeto é do aluno, ou de um grupo de
aprendizes. Se os projetos são dos alunos, então são projetos diversificados
porque 40 alunos não pensam da mesma maneira, não têm os mesmos interesses, e
não tem as mesmas condições, nem as mesmas necessidades. A grande diferença, na
escola, é um currículo por projetos dos alunos (FAGUNDES, s/d, p. 46).
Referências:
FAGUNDES, Léa da Cruz. Aprendizes do futuro: as inovações começaram! s/d. Disponível em: file:///C:/Users/K%C3%AAnia/Downloads/Aprendizagens%20do%20futuro%20(1).pdf.
Acesso em 14 abr. 2017.
FAGUNDES, Léa da Cruz et all. Projetos de
Aprendizagem – uma experiência mediada por ambientes telemáticos. Revista Barsileira de Informática na Educação. V. 14, n. 1. Jan. a Abr. 2016. Disponível em: file:///C:/Users/K%C3%AAnia/Downloads/Projetos%20de%20aprendizagem__Lea%20Fagundes,%20Rosane%20Aragon%20e%20Credin%C3%A9%20Menezes%20(2).pdf
Acesso em: 9 abr. 2017.
Kênia, quantos desafios! Uma turma bem heterogênea, com alunos/as que precisam de AEE, a questão dos limites quanto ao uso da tecnologia etc. No entanto, você está aberta ao desenvolvimento do PA e, inclusive, já realizou a Meta 1. A ideia do e-book é ótima e, talvez, com o apoio da professora referência você consiga contornar essa questão do uso do laboratório. Parece-me que contar com 10 computadores funcionando para 30 alunos/as é uma vantagem, tendo em vista escolas que nem sequer possuem esses laboratórios. Nesse caso, os/as alunos/as trabalharão de forma colaborativa, revezando o uso da tecnologia. Quais os "eixos temáticos" aos quais você chegou após analisar as questões de interesse deles? Quais as áreas de conhecimento emergentes? Porque a turma enfrenta tantos "conflitos"? Abraço, seguimos em diálogo.
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