terça-feira, 13 de junho de 2017

RELATÓRIO FINAL - PA'S

1.       SÍNTESE COLETIVA DAS VIVÊNCIAS E EXPERIÊNCIAS AO REALIZAR UM PROJETO DE APRENDIZAGEM

Os PA's ensinam os estudantes a aprender!
Desde o início da interdisciplina Projeto Pedagógico em Ação sabíamos que seria um grande desafio  a construção da atividade como equipe e principalmente dos Projetos de Aprendizagens nas nossas escolas .  Iniciamos lendo os aportes teóricos da disciplina e nos deparamos com a visão do autor Hernandez (1998), que nos convidou a reflexão sobre e sobre assumir o papel de educadores transgressores” .   
A partir desse posicionamento compreendemos o quão desafiador seria  mudar o que está posto em nossas escolas, mexer no que já existia como pronto, acabado, constituído e passado e decidido por um grupo no inicio do ano letivo. Ser capaz de mudar um contexto é "atrever-se" e a isso podemos chamar de "inovação".
Agora estamos aqui relendo, repensando, reavaliando a nossa trajetória para relatar, após a nossa apresentação em sala no PEAD, em forma de texto, a nossa construção, reflexão e atuação nos PA’s. Consideramos que as principais vantagens da aprendizagem propiciada pelos projetos de aprendizagens em relação às abordagens tradicionais de projetos foram: o PA nos ajudou na construção do conhecimento por ter sido realizado aos poucos, pois obedeceu a um rito, partindo da curiosidade do educando, favorecendo especialmente a aprendizagem através da cooperação, com as trocas recíprocas e respeito mútuo.
Teve como principal objetivo aprender conteúdos, por meio de procedimentos que desenvolveu a própria capacidade de continuar aprendendo, num processo construtivo e simultâneo que levou os alunos a questionar sobre os temas, de encontrar as certezas e reconstruí-las em novas certezas e responder as dúvidas.
Não foi fácil mudar a percepção de nosso papel de professor para mediador, bem como não foi fácil “atravessar” a proposta pedagógica das escolas previamente elaboradas, mas abraçamos a os PA’s e assumimos o desafio de que nada está pronto e acabado e tudo pode ser mudado e/ou alterado se for com o intuito de melhorar o processo ensino aprendizagem.  Quanto a isso concordamos com Freire (1997) ao dizer que:

"Os educadores libertadores não mantêm o controle de seus educandos nas mãos. O educador libertador está com os alunos, em vez de fazer coisas pelos alunos. Nesse ato conjunto de conhecimento, temos racionalidade e temos paixão. E isto é o que eu sou - um educador apaixonado, porque não entendo como viver sem paixão.“ (FREIRE, 1997, p.2004).

Para sermos consideradas como  mediadoras, foi preciso pesquisar que papel era esse  e como  interpretá-lo diante  das nossas turmas. Por isso, os PA’s exigiram um acompanhamento da dinâmica da sociedade, inovação em termos de atitudes e comportamentos docentes, quebra de paradigmas para propiciar a mudança de mentalidades, desenvolvimento da pesquisa a partir de questionamentos e possibilitar a construção do conhecimento em nossos alunos.
Para que ocorresse a mediação era preciso entender, segundo Fagundes (2006), que: “A função de articular exige grande disponibilidade, com facilidade de relacionamentos e flexibilidade na tomada de decisões.” ( FAGUNDES, 2006, p.21).
Com base nisso e para iniciar os PA’s, fizemos o Mapeamento das Turmas que foram desenvolvidos em escolas das cidades de Esteio, São Leopoldo, Sapucaia do Sul e Porto Alegre. Tivemos como desafios iniciais: intercalar os PA’s com as Propostas Pedagógicas das escolas,  solicitar apoio a equipe pedagógica e encontrar meios de realizar pesquisa com alunos em processo inicial de alfabetização.
Contamos com os entraves nas estruturas dos Laboratórios de Informática das escolas e falta de material nas salas de leituras, mas tentamos encontrar na opinião dos próprios alunos as soluções para os problemas elencados. Resolvido os entraves passamos a definir, juntamente com nossos alunos, os caminhos a serem seguidos ao longo do desenvolvimento do projeto. Fontes de pesquisa, organização das formas de registro, organização do cronograma de ações, entre outros.
A partir deste momento começamos a visualizar o desenvolvimento da autonomia dos alunos em sua busca das respostas das pesquisas. Muitos traziam materiais retirados de pesquisas realizadas em casa, textos retirados da internet, informações de conversas realizadas com seus pais, o que nos mostra o envolvimento e interesse dos alunos em suas descobertas.
Partimos de posse do material pesquisado para a construção dos mapas conceituais estabelecidos na Meta 03. Sabíamos de antemão que não seria uma tarefa fácil, mas queríamos fazer acontecer para que a aprendizagem de fato se consolidasse através desse instrumento, pois, “[...] os mapas oportunizam a identificação das relações conceituais, já os textos permitem o exercício das habilidades da escrita e da elaboração das ideias”. (BARROS E PAULINO, 2012, p. 9).
Foi um processo lento que exigiu do papel de mediadora a paciência e intervenção necessária para conclusão.  De acordo com Fagundes ( 2006),  “É importante observar não o resultado, um desempenho isolado, mas como o aluno está pensando, que recursos já pode usar, que relações consegue estabelecer, que operações realiza ou inventa” (FAGUNDES; SATO; MAÇADA, 2006, p. 24).
Como mediadoras não alcançamos  essa parte da Meta 3 dentro do prazo estabelecido, mas continuamos com a atividade  e  no tempo certo cumprimos o objetivo respeitando principalmente o tempo e o espaço dos alunos para aquisição dessa aprendizagem.


2.       BREVE RELATO DAS EXPERIÊNCIAS INDIVIDUAIS


IASMIM: 

A realização dos Projetos de Aprendizagem oportunizou uma experiência única com a turma 81. Notei os estudantes participativos durante todo o processo de construção de suas pesquisas. Compartilho a conclusão de um grupo de trabalho da referida turma:


Os maiores obstáculos estavam relacionados com ausência de recursos para pesquisa, pois a nossa escola não possui laboratório de informática, e nem uma biblioteca funcional. Contudo, os alunos estavam interessados e determinados a solucionar a questão norteadora realizando as pesquisas em suas residências ou na  lan house da comunidade. Através deste depoimento conclui-se que os estudantes além de solucionarem a questão norteadora, também aprenderam a realizar uma atividade coletiva.

KÊNIA:


A experiência de trabalhar com projetos de aprendizagem foi bastante enriquecedora. Cada fase do desenvolvimento do projeto foi um novo desafio que exigiu diferentes soluções. A caminhada, desde a escolha da pergunta até a execução do mapa conceitual fez com que os alunos fossem aos poucos organizando seus pensamentos de uma forma lógica, fazendo-os perceber a sequência do trabalho. As aulas ficaram “amarradas”, dando ideia de continuidade.
Não foi fácil, todas as demandas paralelas que temos dentro da sala de aula fazem com que nossos objetivos sejam atingidos muito lentamente. As brigas e conflitos ou a necessidade de aplicarmos avaliações são exemplos dessas demandas.
Quero destacar aqui o quanto as outras interdisciplinas nos deram suporte para a realização deste projeto, tratando-se de gestão democrática, participação, relações interpessoais, pensamento complexo... Penso que todos estes conceitos tenham perpassado pela realização dos projetos.

Foi uma primeira experiência. Certamente as próximas vezes que realizarmos esse tipo de trabalho outros desafios aparecerão. E sabemos que jamais poderemos dizer “sei como trabalhar com projetos de aprendizagem”, pois cada caso nos trará novos desafio e novas aprendizagens. E é exatamente esta característica que faz com que os projetos de aprendizagem sejam tão instigantes e despertem o interesse dos alunos.  

LEDA:

Foi uma experiência desafiadora e gratificante pelos resultados obtidos, pois acredito que quando a gente tem um grupo de alunos diante da gente, devemos ter clareza  de para onde  estamos levando  esses alunos. O  PA possibilitou esse caminhar de forma diferenciada e me deu o norte para melhorar a minha prática docente. Todos saíram ganhando e eu também, por ter sido uma experiência única, mas que renderá frutos para novos desafios. A conclusão em sala de aula foi bastante estimulante, pois eles puderam narrar suas trajetórias e aprendizagens de forma simples através de um diálogo com o próprio grupo. Houve perguntas entre os grupos e cada um pode descrever o que foi bom e o que foi desafiador na atividade. Como mediadora de um processo de aprendizagem estou muito feliz, pois não esperava que desse tão certo por ser a primeira experiência e continuarei acreditando na possibilidade de novas experiências  que possibilitem a aprendizagem dos meus alunos.


SIMONE:

Foi uma experiência muito gratificante, já estou me preparando para um novo projeto no segundo trimestre com meus alunos. Agora vou fazer algumas modificações do que percebi que não foi satisfatório no primeiro trabalho com meus alunos. As dificuldades são muitas, porque é necessário uma interação constante com os alunos e um apoio em assuntos que muitas vezes é necessário pedir auxílio para colegas de outras áreas de conhecimento para que o trabalho possa ser concluído. Tive muita dificuldade em fazer meus alunos perceberem o tipo de pergunta a ser desenvolvida no projeto de aprendizagem, mas ao final deu tudo certo.

Os alunos gostaram muito de desenvolver o trabalho, por isso vou realizá-lo novamente, só que desta vez em grupo. Iniciei novo trabalho no Google Doc's, porém agora um único documento para que todos os alunos postem suas perguntas para que vejam as várias possibilidades de trabalho e se quiserem poderão pesquisar uma pergunta que tenha sido feita por outro colega.

Acredito que este trabalho tenha servido para desenvolver inovações em minhas aulas, porém agora é necessário aprimorar cada vez mais minhas formas de desenvolvê-lo. Foi um trabalho estimulante e gratificante.

JAQUELINE: 

A realização do Projeto de Aprendizagem na minha turma de 2º ano de Ens. Fundamental proporcionou muitas aprendizagens, mas inicialmente, apresentou vários desafios. O primeiro deles foi de encontrar uma alternativa para realizar o projeto de pesquisa com estudantes que não dominavam a leitura e a escrita, isso me pareciam inviável. Mas, levando a internet para dentro da sala de aula, utilizando recursos audiovisuais, onde eu assumi um papel de leitora e escrevedora das ideias dos alunos, foi possível realizar a pesquisa. A construção do mapa conceitual foi outro momento em que me parecia impossível realizar com estudantes tão pequenos, devido a sua complexidade. Até porque para mim tinha sido muito difícil realizar a construção de uma mapa conceitual. Mas, novamente, construímos coletivamente, sem me deter a nomenclaturas e definições, fui questionando a turma e conforme iam respondendo eu fui construindo o mapa diante deles. Percebi que os alunos aprenderam e apresentaram as respostas para todas as perguntas.
Um facilitador do projeto foi que a minha escola está adotando uma metodologia de Educar pela Pesquisa e isso vem ao encontro de tudo que estamos estudando. Com isso, tive todo o apoio da equipe diretiva para realização do projeto.
Aprendi que é possível trabalhar com projetos de aprendizagens com alunos não alfabetizados; que as crianças apresentam muitas perguntas acerca do mundo em que vivem e que também tem muitas hipóteses; que precisamos abrir espaço para essas perguntas e mediar sua busca pelo conhecimento. Assim, tornaremos a escola mais interessante e prazerosa, onde o aprender seja uma busca diária por parte de todos.


3.       CONSIDERAÇÕES FINAIS

Acreditamos que todas as vivencias do grupo realizadas em sala de aula, apesar dos muitos desafios, superaram as expectativas. Foi reflexiva, transformadora e motivadora a cada etapa vivenciada por nós e aprendemos que nos PA’s os professores refletem sobre sua prática e é desafiado a conhecer o “novo” e, tanto ele quanto os alunos tornam-se pesquisadores ativos.
Houve empenho e entusiasmo por parte de todos os membros do grupo e dos alunos nas escolas, fatos que podem ser observados pelas trocas de experiências na aplicabilidade dos PA’s e nas narrativas que possibilitaram a construção do blog.
      Neste momento, agradecemos a professora Aline Hernandez que nos auxiliou com os conhecimentos teóricos nessa trajetória, com os comentários no blog que nos motivou a cada instante  e principalmente pela disponibilidade em ajudar quando surgiam as dúvidas e inquietações. Estamos felizes e finalizamos com a certeza de que aprendemos e estamos no caminho certo para dar sequência, daqui em diante, aos novos Projetos de Aprendizagens em nossa prática docente.




REFERÊNCIAS

BARROS, Carlos; PAULINO, Wilson. Ciências do 6º ao 9º ano. 3 ed. São Paulo: Ática, 2012.

FAGUNDES, Léa da Cruz et all. Projetos de Aprendizagem – uma experiência mediada por ambientes telemáticosRevista Barsileira de Informática na Educação. V. 14, n. 1. Jan. a Abr. 2016. Disponível em: file:///C:/Users/K%C3%AAnia/Downloads/Projetos%20de%20aprendizagem__Lea%20Fagundes,%20Rosane%2.pdf. Acesso em: 9 abr. 2017.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Pratica Educativa. 4 ed. Rio  de Janeiro: Paz e Terra, 1997.

HERNÁNDEZ, Fernando - Transgressão e Mudança na Educação os projetos de trabalho. trad. Jussara Haubert Rodrigues - Porto Alegre: ArtMed, 1998.

ZABALA, Antoni.  Respostas do ensino à dispersão do conhecimento: esclarecimento conceitual. In: Enfoque Globalizador e Pensamento Complexo. Porto Alegre: ArtMed, 2002. (p. 26-30).

ZABALA, Antoni. La práctica educativa. Cómo enseñar. Serie Didáctica/Diseño y desarrollo curricular, 2008.

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